quarta-feira, 30 de abril de 2008

Lair visitou Troca e Zilá

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Não é só com o ex-secretário do Planejamento, Aristo Culau, que Lair Ferst vem se encontrando. O lobista do PSDB, indiciado pela Operação Rodin, e acusado pelo delegado Luiz Fernando Tubino de emitir um cheque de R$ 400 mil na mesma época em que a governadora comprou sua casa de R$ 750 também esteve visitando o gabinete da presidente estadual do PSDB, Zilá Breitenbach, e do relator da CPI, Adilson Troca. Ferst, inclusive, apoiou Zila nas eleições internas do PSDB, cedendo uma sala comercial para a chapa encabeçada pela deputada realizar seus trabalhos.

A deputada Stela Farias divulgou hoje uma grande com as entradas oficiais de Lair Ferst da Assembléia em 2007. Em uma das visitas, o lobista recém tinha saído da cadeia. Outras andanças pelo Legislativo coincidem com o período da negociação que culminou com a substituição da Fatec pela Fundae como prestadora de serviços ao Detran.

Como vários depoimentos já confirmaram, Lair Ferst não queria a troca, já que as empresas da sua família seriam excluídas do esquema. Entretanto, a mudança foi feita, sob coordenação de José Fernandes, o dono da Pensant. Segundo os mesmos depoimentos, inconformado, Ferst passou a ameaçar o governo.

Será que nestas visitas à Assembléia ele aproveitou para mandar seu recado à governadora?

Plano frio


Depoimentos que iniciam às 18h, encerram às 8h da manhã do dia seguinte e são retomados às 18h deste mesmo dia, sem hora para acabar. É isto que o relator da CPI, Adison Troca (PSDB) está propondo, ou seja, um plano totalmente inexeqüível. "Esta programação só reforça a necessidade da Assembléia prorrogar os trabalhos da Comissão ou é uma receita de pizza", avalia Stela Farias.

A deputada, que concedeu entrevista coletiva no final da tarde de hoje, entende que "está em curso uma articulação eleborada por representantes do núcleo central do governo - incluindo a governadora - para acabar de qualquer jeito com a CPI, antes que as investigações sejam concluídas".

Comovente


Comovente a preocupação com o diheiro público que acometeu o tucanato gaúcho depois que o rombo de R$ 44 milhões no Detran foi descoberto. O deputado Pedro Pereira, que tem se esganiçado na defesa da governadora Yeda Crusius na tribuna da Assembléia Legislativa, lançou mão do argumento da necessidade de economia dos recursos do erário para defender o fim da CPI. Segundo ele, a prorrogação da comissão de inquérito só vai gerar mais gastos. Que bom que ele esclareceu, pois todos pensavam que a pressa em acabar com a CPI tivesse outros motivos.

Lágrimas de crocodilo


Lair Ferst disse que está sofrendo pela demissão de Ariosto Culau. São as chamadas 'lágrimas de crocodilo. Ou Lair é tão ingênuo quanto o ex-secretário do Planejamento e acreditava que o chopinho iria passar em branco? Sofrendo mesmo estão os gaúchos que fizeram carteira de habilitação e pagaram as maiores taxas do Brasil.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Sanchotene quer convocar diretório do PSDB


O prefeito de Uruguaiana, Sanchotene Felice (PSDB), pediu convocação do diretório estadual do partido para discutir o escândalo no Detran. Na sessão de hoje, a deputada Stela Farias leu a carta encaminhada pelo prefeito à presidente do PSDB estadual, Zilá Breitenbach. Abaixo, a íntegra do documento.

Senhora Presidente,

Como ex-parlamentar e ex-presidente estadual do PSDB, no Rio Grande do Sul, peço-lhe, convoque, com urgência, o Diretório Estadual do Partido para tratarmos dos graves episódios do Caso Detran, que envolvem pessoas de nossa agremiação, com conhecidas funções políticas e administrativas, e responsabilidades em nosso Governo, flagradas pela Polícia Federal, pela CPI da Assembléia Legislativa e a imprensa gaúcha. O constrangimento causado a filiados ao PSDB, adquire proporções lamentáveis, que devemos conter e reverter. Os princípios ditados por nossos fundadores e a dignidade que defendemos não podem sucumbir na franja soturna do silêncio.

Atenciosamente

Sanchotene Felice
Prefeito de Uruguaiana

Second life


A governadora parece viver em um mundo virtual, como mostra a foto do casal Crusius, publicada na ZH deste domingo. No retrato, Yeda e o marido aparecem em traje de gala na festa de uma amiga; ambos sorridentes, como se tudo estivesse na mais santa paz no governo. A foto foi realizada antes do secretário do Planejamento, Ariosto Culau, pedir demissão.

Chama atenção também a entrevista que a governadora concedeu ao mesmo jornal, publicada na edição de hoje. Com a arrogância característica, Yeda diz que sabe o que faz, que não aceita que lhe digam que secretário deve ter, que não admite pressões e que a Assembléia não precisa lhe dizer onde acha que deva ter promoção ou degola.

É, Yeda não quer saber do mundo real.

Governo de ingênuos



A demissão de Ariosto Culau não encerra o episódio do chope degustado pelo ex-secretário em companhia de Lair Ferst poucas horas depois de Culau anunciar a ruptura do contrato entre o Detran e a Fundae. A deputada Stela Farias encaminhou requerimento, que deve ser votado na próxima segunda-feira (5/5) solicitando o comparecimento de Culau a CPI.

Stela não aceita a desculpa de que Culau foi ingênuo ao sentar na mesma mesa com um dos principais beneficiários da fraude no Detran. "Quem acredita nesta justificativa é que está sendo ingênuo", observou. A deputada também estranha que um auto-declarado ingênuo fosse responsável pelos principais projetos do governo tucano.

Outro que se declarou ingênuo, quando depôs na CPI, foi o ex-presidente do Detran, Flávio Vaz Netto.

Mudaram de idéia

Estranhamente, a maioria dos deputados que integram a CPI mudou de opinião nesta segunda-feira (28) e votou contra requerimento para solicitar autorização ao plenário da Assembléia Legislativa para prorrogar as investigações por mais dois meses. Há poucos dias, os mesmos parlamentares haviam afirmado ao jornal Zero Hora que eram favoráveis à prorrogação dos trabalhos.

Com uma sobrevida de um mês e oito dias, a comissão de inquérito tem uma longa lista de depoimentos pela frente. Em pouco mais de dois meses, foram ouvidas 24 pessoas. Mas faltam ainda 41. Além disso, documentos importantes como a quebra do sigilo das sistemistas não chegaram à comissão.

“Querem encerrar de uma vez para não ir a fundo nas investigações”, reagiu a deputada Stela Farias (PT). Enfático, o colega de bancada Elvino Bohn Gass argumentou que, sem prorrogação, será impossível “percorrer o caminho do dinheiro desviado, cobrar a devolução dos recursos públicos usados indevidamente e, ainda, apresentar uma proposta para o Detran que seja eficaz e mais barata para a população”.

O requerimento foi rejeitado por sete votos a cinco. Votaram contra Adilson Troca (PSDB), Carlos Gomes (PPS), Alexandre Postal (PMDB), Gilberto Capoani (PMDB), Marco Peixoto (PP), Pedro Westphalen (PP) e Cassiá Carpes (PTB). Votaram a favor da prorrogação: Stela Farias (PT), Fabiano Pereira (PT), Paulo Azeredo (PDT), Gerson Burmann (PDT) e Marquinho Lang (Dem).

Martini continua blindado


Mesmo depois do encontro do ex-secretário Ariosto Culau com o empresário Lair Ferst e do e-mail de Flávio Vaz Netto para Delson Martini, a base do governo na CPI no Detran conseguiu barrar a convocação do secretário-geral do governo de Yeda Crusius. O requerimento para ouvir o secretário, encaminhado pelos deputados Elvino Bohn Gass e Stela Farias foi rejeitado por 8 votos a 4.

Esta foi a segunda tentativa de Stela e Bohn Gass para ouvir Martini. Na primeira vez, eles se baseavam no depoimento do próprio Vaz Netto à CPI, quando o ex-presidente do Detran disse que Martini tentou interdecer a favor das empresas da família Ferst quando elas foram excluídas do rol das sistemistas.

Agora, os deputados usaram um e-mail de Vaz Netto a Martini exigindo que o secretário o recebesse para uma audiência. "Há uma chantagem explícita de um indiciado pela Operação Rodin a um dos principais membros do governo. Martini já foi chefe de dois indiciados - Antônio Dorneu Maciel e Carlos Rosa - e mantém relações com pelo menos mais dois - Flávio Vaz Netto e Lair Ferst. Portanto, sua presença era fundamental para esclarecer vários aspectos destas relações que não estão bem explicados", lamentaram Stela e Bohn Gass.

Chope, queda, e-mail e blindagem


O chopinho com peixe frito que engasgou o governo Yeda não foi um encontro casual entre um dos secretários mais importantes do Estado, Ariosto Culau, e o maior beneficiário da fraude do Detran, Lair Ferst. Foi, isto sim, mais uma evidência de que o governo Yeda vem sendo muito pressionado pelos suspeitos do maior escândalo de corrupção da história gaúcha. Senão, vejamos: Flávio Vaz Netto manda e-mail (e faz ele chegar à Zero Hora) ao secretário geral do governo, Delson Martini, exigindo uma audiência sob a ameaça de que, se ela não acontecer, voltará espontaneamente à CPI. Isto é chantagem!

Na tentativa de aliviar a pressão, a própria governadora Yeda oferece-se para receber Vaz Netto e ele esnoba a oferta dizendo que sua conversa não é com ela, mas com Martini. Interessante notar que, no e-mail, Vaz Netto diz que tem interesses comuns e de governo a tratar com Martini. Que assuntos? Martini tem o dever de comparecer à CPI para esclarecer estas ligações perigosíssimas.

Mas o que o chope tem a ver com isso? Acontece que Lair estava fazendo, nos bastidores, o mesmo que Vaz Netto fez de público, ou seja, chantagear o governo. Todo mundo já sabe que as empresas laranjas de Lair foram escanteadas do esquema/Detran no momento em que o governo trocou a Fatec pela Fundae. Agora, justamente no momento em que o governo encerra o contrato com a Fundae (o que provavelmente era uma das exigências que Lair vinha fazendo ao governo), o mesmo secretário que toma a decisão, toma também um chope com Lair.

Para o deputado Elvino Bohn Gass, "se o chope foi suficiente para derrubar Culau, o email de Vaz Netto é mais do que suficiente para romper a blindagem sobre Martini."

Família unida


Uma das famílias apontadas como integrantes do esquemas que lesou o Detran em R$ 44 milhões estará em peso na CPI hoje à tarde. Tido como um dos mentores da fraude, o sócio da empresas Pensant José Antônio Fernandes irá prestar depoimento. Também deverão depor seus dois filhos Ferdinando e Fernando Fernandes e sua nora, a advogada Denise Nachtigall Luz.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

E agora, governadora?


Como ficarão os examinadores com o rompimento do contrato do Detran com a Fundae, anunciado pela governadora no final da tarde desta quinta-feira (24)? É isso que a deputada Stela Farias (PT) quer saber. Para esclarecer dúvidas sobre a situação dos trabalhadores, a parlamentar quer que o presidente do Sindicato dos Instrutores e Examinadores de Condutores de Veículos Auto-motores, Valter Ferreira da Silva, volte a depor na CPI.

Quando houve a troca da Fatec pela Fundae, Yeda Crusius afirmou que não iria admitir prejuízos para os trabalhadores. Resta saber se a vontade da governadora é a mesma ou se não restará outro caminho para os examinadores além do da Justiça do Trabalho.

No ralo

Realista, o procurador-geral em exercício do Ministério Público de Contas (MPC), Geraldo Costa da Camino, não acredita na recuperação integral dos recursos desviados do Detran. Em depoimento à CPI na noite desta quinta-feira (24), ele justificou a incredulidade, argumentando que os bens bloqueados dos envolvidos têm valor inferior aos desviados da autarquia, parte dos recursos abocanhados não estão mais no País e outra já foi gasta. Para o procurador, já será positivo se uma parcela do valor voltar para os cofres públicos. O principal ganho da sociedade gaúcha até o momento, na sua avaliação, é o estancamento da sangria de recursos públicos via Detran.

Por outro lado, Camino aposta na condenação dos indiciados pela Operação Rodin, da Polícia Rodin.

Tucanato em polvorosa


Os tucanos gaúchos estão cada vez mais nervosos e atrapalhados. Na tribuna da Assembléia Legislativa nesta quinta-feira (24), o deputado Pedro Pereira (PSDB) errou na leitura de Zero Hora e partiu para o "ataque", denunciando que o ex-ministro das Cidades, Olívio Dutra, havia gasto R$ 970 mil em uma padaria de Brasília. A despesa teria sido paga com cartão corporativo. O tucano passou vergonha, pois o gasto foi de R$ 970,00 e feito para custear café da manhã com jornalistas.

O deputado Elvino Bohn Gass não perdoou. Voltou ao plenário depois do discurso do tucano, corrigiu o erro de leitura e ainda desafiou o companheiro de partido da governadora a aprovar o depoimento do secretário geral de governo, Delson Martini, na CPI para explicar a relação com o ex-presidente do Detran Flávio Vaz Neto, um dos indiciados da Operação Rodin.

Nitroglicerina?


A expectativa em torno do depoimento do delegado Luiz Fernando Tubino é grande. O ex-chefe da Polícia Civil que, em 2006 concorreu a uma vaga na Assembléia Legislativa pelo PPS, afirmou à imprensa que foi durante a campanha eleitoral que tomou conhecimento de irregularidades no Detran. Polêmico, Tubino revelou à Zero Hora que pretende mostrar à CPI documento no qual estariam descritos detalhes da fraude milionária na autarquia. O esquema teria sido descrito por um político gaúcho. Apesar de ter provocado a curiosidade de todos, o delegado diz que só vai tornar o documento público se conseguir provar, até o início da sessão extraordinária da CPI hoje às 18h, a identidade de seu autor.
Tubino depõe depois do procurador-geral em exercício do Ministério Público de Contas, Geraldo Costa da Camino, que deu início às investigações de irregularidades no contrato entre o Detran e as fundações no início de 2007.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

PT não aceita intimidação

A bancada do PT na Assembléia Legislativa expressou, na tarde desta quarta-feira, sua absoluta solidariedade com o deputado Fabiano Pereira (PT), que sofre ameaças de processo por parte da governadora Yeda Crusius, devido a sua atuação na presidência da CPI do Detran. “Se a governadora quer processá-lo, que processe a todos nós. Queremos um processo coletivo", assinalou o líder da bancada, deputado Raul Pont.

video

Más companhias


Direto do blog do Gaúcha Hoje:

Paulo Fona, porta-voz do Palácio Piratini é do PSDB. Foi candidato a deputado na eleição passada e não se elegeu. Como estratégia de campanha, Fona exibia uma foto ao lado do ex-governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, que teve o mandato de senador cassado no ano passado por não conseguir explicar um dinheirama que teria recebido - lembra dele, aos prantos, no discurso de despedida? Pois bem, a foto ai lado é a que aparece no site de campanha de Fona, ainda à disposição na rede. A foto chamou a atenção dos deputados de oposição que na semana passada foram atacados por ele.

Mais um ataque de Yeda à CPI


O anúncio da governadora Yeda Crusius de que pretende processar o presidente da CPI do Detran, deputado Fabiano Pereira, é mais um ataque que o Palácio Piratini faz às investigações da fraude montada para desviar recursos públicos. Em nenhum momento, desde que a CPI foi instalada, a governadora demonstrou interesse em colaborar com os trabalhos da comissão. Enquanto critica a CPI e seus integrantes, a governadora revela total solidariedade com pessoas indiciadas pela Operação Rodin e apontadas como responsáveis pelo crime que lesou o Estado gaúcho em mais de R$ 40 milhões.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Tubino na quinta


Na próxima quinta-feira, dia 24, a CPI do Detran ouvirá o depoimento do delegado de polícia Luís Fernando Tubino. O procurador do Ministério Público Especial do Tribunal de Contas, Geraldo da Camino, também será ouvido pelos parlamentares. Camino fará uma exposição sobre o trabalho desenvolvido pelo órgão nas investigações da Operação Rodin. Já Tubino deverá esclarecer as denúncias que fez ao Ministério Público sobre irregularidades no Detran.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Primo pobre


Enquanto só uma das sistemistas envolvidas no desvio de R$ 44 milhões do Detran – a Newmark Tecnologia – faturou mais de R$ 13 milhões, os funcionários da autarquia são obrigados trabalhar com veículos de terceiros. Isso foi o que relatou o supervisor da Divisão de Habilitação do Detran, Jeferson Sperb, em depoimento à CPI do Detran na madrugada desta sexta-feira (18). Ele disse que nas viagens para fiscalização no interior os servidores utilizam um Passat 81, emprestado de um colega.
Será que o "carro oficial" dos fiscais do Detran seria aprovado pela inspecção veicular se ela estivesse em vigência?

quinta-feira, 17 de abril de 2008

A casa era do Laranja


Eduardo Laranja é o sugestivo nome do ex-proprietário da mansão adquirida pela governadora Yeda Crusius no bairro Chácara das Pedras em Porto Alegre, depois da campanha eleitoral. O imóvel teria custado R$ 750 mil. A governadora diz que pagou o imóvel com dinheiro proveniente da venda de imóveis em Brasília e Capão da Canoa e de um carro, além de uma empréstimo bancário. Há controvérsias.

Em março de 2005, a governadora comprou um apartamento em Brasília por R$ 280 mil. Ela pagou R$ 110 mil e financiou R$ 171 mil com a Caixa Econômica Federal. Conforme o contrato, seriam 60 parcelas de R$ 5.400,00, que somam R$ 324 mil.

No dia 6 de dezembro de 2006, ela adquiriu o imóvel em Porto Alegre, dando R$ 40 mil em dinheiro e um cheque de R$ 510 mil à vista. Assumiu uma dívida do antigo proprietário de R$ 200 mil. Na mesma oportunidade, Yeda quitou o débito que tinha na CEF de R$ 216 mil. E só foi vender o apartamento de Brasília no dia 13 de dezembro por R$ 385 mil. O apartamento de Capão da Canoa não deve valer muito mais do que R$ 50 mil e o valor do carro vendido pela governadora não deve ultrapassar esta mesma cifra.

Resumindo a ópera, na 'Operação Palácio' Yeda desembolsou R$ 993 mil.

Pont quer que Vaz Neto volte a depor na CPI



O conteúdo ameaçador do e-mail enviado por Flávio Vaz Neto ao secretário secretário geral de governo, Delson Martini, levou o líder da bancada do PT a defender a reconvocação do ex-presidente do Detran para depor na CPI. Raul Pont tem convicção de que Vaz Neto sabe muito mais do que revelou no primeiro depoimento.

Casa nova

Pela primeira vez hoje (17) pela manhã, a governadora Yeda Crusius falou publicamente sobre a compra de sua casa nova no final de 2006. Segundo a imprensa, há informações de bastidores que o imóvel teria sido pago com sobras de campanha. Yeda nega e diz que o dinheiro para a transação veio da venda de apartamentos em Brasília e Capão da Canoas, além de um financiamento bancário.

Os papagaios da governadora


Implacável com os companheiros que lhe ajudaram a ocupar o Palácio Piratini, a governadora Yeda Crusius chamou Lair Ferst e Chico Fraga de papagaios de pirata. Ao ser questionada hoje (17) pela manhã na Rádio Gaúcha sobre imagens em que aparece durante o período de campanha junto com suspeitos de envolvimento na fraude do Detran — como Lair Ferst e Chico Fraga - Yeda afirmou nem lembrar de todas as pessoas com quem tirou foto. “O que tem de papagaio de pirata não é brincadeira”, afirmou a governadora, tentando minimizar as relações que mantém dentro do próprio ninho tucano.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Sindicalista depõe amanhã


Mais três informantes irão depor amanhã na CPI do Detran: Luís Gonzaga Isaia (ex-presidente da Fundae); Jefferson Sperb (responsável pelos contratos do Detran) e Valter Ferreira da Silva, direitor do Sindicato dos Instrutores e Examinadores de Condutores de Veículos Automotores do Estado. O sindicalista participou das negociações envolvendo a demissão dos trabalhadores da Fatec e a readmissão dos mesmos pela Fundae, quando houve a troca das fundações contratadas pelo Detran.

Conforme Silva revelou à imprensa, todo o processo de transição foi coordenado pela empresa Pensant, depois subcontratada pela Fundae e tida pela Polícia Federal (PF) como mentora da fraude. Silva também revelou que chegou a ter uma reunião com a governadora Yeda Crusius para garantir que a transferência dos técnicos examinadores não representasse prejuízo aos trabalhadores.

Fraude pode ter iniciado em Canoas, migrado para o Detran e se espalhado por outros municípios


A prefeitura de Canoas pode ter reunido as condições adequadas para desenvolver a fraude que desviou mais de R$ 40 milhões dos cofres públicos. A suspeita é da deputada Stela Farias. “Todos os atores desta fraude tiveram alguma ligação com a prefeitura de Canoas e com o senhor Chico Fraga. Os indícios de que Canoas foi o berço da fraude do Detran são cada vez mais fortes", diz Stela.

Na administração do PSDB, em Canoas, a FATEC prestou serviço entre 2001 e 2004, recebendo R$ 3,2 milhões. A Pensant, que também prestou serviços à prefeitura do município entre 2003 e 2004, recebeu cerca de R$ 650 mil. Outra empresa que figura como prestadora de serviços é a MD Segurança, que tem Lair Ferst como procurador. “Há toda uma estrutura que migrou para a fraude do Detran”, constata Stela.

Stela também acredita que o modus operandis da fraude do DETRAN se espalhou por outras administrações municipais. Como evidência, ela cita um e-mail registrando gestões do atual prefeito de Alvorada, José Carlos Brum, com a SP Alimentações, empresa envolvida na fraude da merenda em Canoas. As coincidências não param. Segundo a deputada, há 303 empresas que prestam serviços para a Alvorada e para Canoas simultaneamente.

terça-feira, 15 de abril de 2008

CPI está à disposição de Vargas


O presidente da CPI do Detran, Fabiano Pereira, foi à tribuna da Assembléia na tarde de hoje reafirmar que a comissão está à disposição do presidente do Tribunal de Contas do Estado, João Luiz Vargas, para que ele preste esclarecimentos sobre sua relação com o empresário José Fernandes, proprietário da empresa Pensant, apontado como arquiteto da fraude. “Mais uma vez estamos nos colocando à disposição para ouvir as explicações do presidente do TCE sobre sua relação com o dono da Pensant e com empresas da família Fernandes. Há muita coisa que merece ser esclarecida”, entende o deputado.

Insatisfação geral


Assim como a maioria dos deputados, o presidente da CPI não ficou satisfeito com o depoimento de Chico Fraga. Por volta das 2h da manhã, quando Chico Fraga já estava falando por quase cinco horas, Fabiano Pereira lembrou a Fraga que o mesmo time que atuava no Detran também tinha vínculos com a prefeitura de Canoas. Como Fraga se fez de desentendido, Fabiano nomeou as coincidências: o ex-coordenador da Fundae no projeto Detran, Rubens Höher já foi funcionário da secretaria da Fazenda de Canoas; a nora de José Fernandes, Denise Nachtigall, sócia do seu marido, Ferdinando Fernandes em escritório de advocacia contratado pela Fatec para trabalhar junto ao Detran, também já foi assessora jurídica do prefeito Marcos Ronchetti; a Pensant de José Fernandes, o pai de Ferdinando, indicada pela Polícia Federal como mentora da fraude, já executou projetos em Canoas; Lair Ferst, apontado pela PF como o verdadeiro dono de empresas sistemistas que mantinham laços com o Detran, também é procurador da empresa MD Segurança, que presta serviços à prefeitura de Canoas, além do próprio Chico Fraga.

Embora Chico Fraga tenha dito que todo este relacionamento era normal, anormal é acreditar sem desconfiar.

Falar e calar


Quem cala consente, mas quem fala também cala. Chico Fraga tinha prometido falar na CPI e falou. Nada de importante. Entre declarações de amor à mulher e reclamações lamuriosas da imprensa, ele falou dos filhos, da mãe, dos amigos, da governadora, de Canoas e da sua confortável propriedade em Tramadaí. Mas não esclareceu nada.

Alguém está mentindo


Depois dos depoimentos contraditórios ocorridos na sessão de ontem da CPI do Detran, o presidente da Comissão, Fabiano Pereira, estuda a possibilidade de uma acareação entre o ex-presidente da Fatec, Luiz Pellegrini, e o secretário de governo da prefeitura de Canoas, Chico Fraga. Os dois contaram versões diferentes sobre uma reunião que teria acontecido em 9 de maio de 2007 na Assembléia para tratar do contrato do Detran com a Fatec. Pellegrini disse que Chico Fraga participou do encontro, advogando em prol dos interesses de Lair Ferst. Fraga nega que esteve na Assembléia neste dia e disse que sequer conhece Pellegrini. A reunião, que também foi citada pelo ex-presidente do Detran, Flávio Vaz Netto, é considerada uma peça fundamental para elucidar o que ficou acertado naquele momento entre o Detran, a Pensant, as fundações e os outros atores envolvidos.

Relação direta com a governadora


Ao falar da sua participação na campanha do PSDB, Chico Fraga revelou intimidade com a governadora Yeda Crusius.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Neguei

Agora há pouco Chico Fraga voltou atrás e negou que o Detran tenha patrocinado a viagem de Lasier Martins a Alemanha.

Magoei

Chico Fraga começou a depor na CPI do Detran revelando mágoa com a imprensa. Chamou o jornal canoense 'O Timoneiro' de jornaleco; disse que estranha as recentes críticas do jornalista Lasier Martins, pois os dois viajaram juntos duas vezes a Alemanha para visitar a Feira Hannover, pediu que a jornalista Rosane de Oliveira seja menos sarcástica em seus comentários e classificou o jornalista André Machado de desinformado. Com Lasier, entretanto, a desilusão parece ser maior. "Fora dos microfones tenho o reconhecimento dele; o Detran, inclusive, patrocinou sua ida a Alemanha. Agora, no programa, ele tem me criticado. Não estou entendendo".

Pellegrini fala

O depoimento de Luiz Carlos Pellegrini foi comemorado pelo deputado Elvino Bohn Gass. Um dos últimos parlamentares a questionar o ex-presidente da Fatec, que está há quatro horas falando na CPI, Bohn Gass considerou o fato de Pellegrini ter respondido às perguntas dos parlamentares uma contribuição muito importante aos trabalhos da Comissão. "Depois de sessões onde só ouvimos os depoentes reafirmarem seus direitos de permanecer calados, foi uma vitória ouvir Pellegrini confirmar que esteve reunido na Assembléia com Chico Fraga, Silvestre Selhorst e Ferdinando Fernandes e que testemunhou Fraga interceder a favor de Lair Ferst", afirmou o petista.

Conforme a imprensa, em seu depoimento à Polícia Federal Selhorst havia mencionado este encontro, revelando que o assunto tratado foi a propina. Segundo Pellegrini, ele e Selhorst vieram a Porto Alegre para uma reunião com o presidente do Detran, Flávio Vaz Netto. Como este não pôde recebê-los, eles foram até a Assembléia. Ainda de acordo com Pellegrini, quando o nome de Ferst entrou na conversa, ele se afastou e, portanto, desconhece o rumo que a prosa tomou.

João Luiz Vargas e as irmãs siamesas


Até agora a visita do presidente do Tribunal de Contas do Estado, João Luiz Vargas, a José Fernandes, diretor da Pensant, empresa apontada pela Polícia Federal como mentora da fraude no Detran, não está bem explicada. Depois da visita, veio à tona mais uma informação que precisa ser esclarecida. Por determinação de Vargas, a Secretaria Estadual de Educação teria suspendido contrato com a fundação Conesul, vencedora da licitação para executar as provas do supletivo para a rede pública. Segundo a imprensa, quem teria pedido a impugnação foi a Fatec.

Além disso, a imprensa noticiou que a esposa de Vargas, quando prefeita de São de Sepé, contratou a Fundae para aplicar um programa na área da educação. Ambas fundações têm uma espécie de ligação siamesa com a Pensant, de José Fernandes, aquele que recebeu a visita de Vargas. Aliás, Vargas foi sócio do filho de José Fernandes, Ferdinando Fernandes, em uma outra empresa, a IGPL, também sistemista da Fatec no contrato com o Detran. Ao deixar a sociedade, Vargas foi substituído por seu filho, Eduardo

Reunião na Assembléia aconteceu



O ex-diretor da Fatec, Luiz Carlos Pellegrini, confirmou que esteve reunido, na Assembléia Legislativa, com Silvestre Selhorst, Ferdinando Fernandes e Chico Fraga. Segundo Pellegrini, no encontro ele "sentiu no ar" que Fraga estava defendendo os interesses de "um rapaz". Este rapaz seria Lair Ferst.

As revelações foram consideradas extremamente importantes pela deputada Stela Farias, que estava inquirindo Pellegrini na hora em que ele admitiu o fato. Pellegrini disse que quando o nome de Ferst foi citado ele se afastou, pois não considerava os problemas do tucano como problemas da Fatec, pois esta já tinha sido substituída pela Fundae no contrato com o Detran.

Pellegrini, que assumiu a direção da fundação em maio de 2006, disse ainda que demitiu Ferst porque não sabia o que ele fazia na Fatec, já que ele nunca aparecia. Ele também confirmou que foi procurado várias vezes por Ferst, mas que não o recebeu, mandando dizer que não estava. "Eu não tinha motivos para falar com ele, já o tinha demitido e a Fatec não tinha nenhuma dívida com ele.

Sobre o caso da Anatel, Pelegrini mandou Ferst reclamar seus direitos na Justiça. A Anatel e a Fatec tinham contrato semelhante ao assinado com o Detran e Ferst queria assegurar a participação das suas sistemistas no esquema. Sobre o contrato da Fatec com a Anatel, por recomendação do Ministério Público Federal, a PF conduzirá investigação específica.

Rastreamento


Um passo importante foi dado nesta segunda-feira (14) para descobrir onde foram parar os R$ 44 milhões desviados do Detran. Além de aprovar pedido para quebrar o sigilo fiscal, bancário e financeiro de 24 envolvidos na Operação Rodin, a CPI irá buscar informações sobre a existência de contas correntes e aplicações financeiras em outros países, especialmente no Uruguai, dos 39 indiciados. Estão na mira a Fatec, a Fundae e as dez empresas sistemistas relacionadas ao escândalo: Pensant Consultores; Newmark Tecnologia da Informação Logística e Marketing; Rio Del Sur Auditoria & Consultoria; Newmark Serviço da Informação e Inteligência; IGPL – Inteligência em Gestão Pública; NT Pereira – Processamento de Dados; Doctus Consultores; Carlos Rosa Advogados Associados; Nachtigall Advogados Associados; e Pakt.

Canoenses protestam contra Chico Fraga


Enquanto esperam o depoimento do secretário de Governo do município na CPI do Detran, que ocorrerá ainda hoje, dezenas de canoenses protestaram contra a corrupção no início desta tarde. Durante a manifestação, em frente ao antigo prédio da prefeitura, os participantes lavaram a escadaria do edifício com água e sabão e queimaram um boneco representando o secretário.

Vontade de falar


O desejo do presidente do Sindicato dos Instrutores e Examinadores de Condutores de Veículos Auto-motores será atendido. Valter Ferreira da Silva, que já manifestou à imprensa vontade de falar sobre o escândalo no Detran, será chamado a depor na CPI. A arguição do sindicalista promete ser, no mínimo, diferente do que se tem visto no último período. Afinal, ele não foi indiciado pela PF e, portanto, não irá se valer do direito de permanecer calado. Além disso, acompanhou de perto a transferência dos examinadores que atuavam junto a Fatec para a Fundae, dois dias antes de o Detran formalizar a troca de fundação.

Requerimento para convocar Valter Ferreira da Silva foi aprovado nesta segunda-feira (14) com o voto de desempate do presidente da CPI, Fabiano Pereira (PT). Os deputados Adilson Troca (PSDB), Sandro Boka (PMDB), Gilberto Capoani (PMDB), Marco Peixoto (PP), Pedro Westphalen (PP) e Carlos Gomes (PPS) votaram contra a convocação do presidente do sindicato.

Do contra


Curiosidade: o deputado Marco Peixoto (PP) que, segundo os registros da Assembléia, recebeu em seu gabinete, no mesmo dia e na mesma hora, três dos indiciados pela fraude milionária do Detran, lembra o personagem Do Contra, da turma da Mônica. Ele vota contra a quase todos os requerimentos apreciados pela CPI. Hoje, os deputados aprovaram oito requerimentos, sendo que Peixoto votou contra seis. Casualmente, um dos requerimentos aceitos pelo pepista foi o pedido de um médico de plantão nas sessões da CPI.

A ética tucana lá e aqui


A coluna Diálogos, de Maurício Dias, na revista Carta Capital, faz uma interessante análise da CPI do Detran e de seus principais atores. O colunista aborda, ainda, o silêncio da imprensa nacional sobre o escândalo que se abate sobre pampa gaúcho, atribuindo o fato ao envolvimento de tucanos de alta plumagem no desvio de R$ 45 milhões da autarquia, provalvelmente, para a formação de caixa 2 de campanhas eleitorais.

Veja a íntegra do texto:

“Embora seja ignorado pela imprensa do Sudeste, o vento político provocado no Rio Grande do Sul pela CPI do Detran, instalada na Assembléia Legislativa de Porto Alegre a partir das ações da Polícia Federal, sopra tão forte quanto o minuano pelo Pampa gaúcho.

O “silêncio retumbante” no Sudeste talvez se explique pelo fato de o escândalo, um desvio de dinheiro público calculado em quase 45 milhões de reais, em um período de cinco anos, ter como causa mais provável a formação de caixa 2 de campanhas eleitorais, notadamente do PSDB. Eventualmente pode ter propiciado o enriquecimento ilícito de alguns dos atores. Em frase que junta práticas políticas do século XXI com ensinamentos do Padre Vieira (século XVII), o “dinheiro não contabilizado” nem sempre passa das mãos por onde passa.

O esquema foi iniciado em 2003 e desmontado pela Polícia Federal em novembro de 2007. Segundo o Inquérito da PF, o Departamento de Trânsito contratou, sem licitação, uma fundação, a Fatec, ligada à Universidade Federal de Santa Maria para aplicar as provas teóricas e práticas da carteira de habilitação.

Quem mais lucrou com o contrato foram as empresas ligadas à família de Lair Ferst, um dos coordenadores da campanha da atual governadora do estado, a tucana Yeda Crusius. Duas empresas da família Ferst receberam, juntas, mais de 23 milhões de reais. Lair Ferst integrou a direção da vitoriosa campanha do PSDB para o governo do estado, em 2006. Em dezembro de 2007 estava entre os 13 presos apanhados no arrastão da Polícia Federal.

Há mais gente envolvida da base aliada da governadora. Na época em que a roda da fortuna começou a girar, o deputado José Otávio Germano, do PP, era o secretário de Justiça ao qual está subordinado o Detran. Em 2007, com o novo governo, foi estabelecido outro contrato com a Fundae, da mesma cidade. Com a Fatec e a Fundae, o contrato que custava cerca de 900 mil reais por mês chegou perto da casa dos 2 milhões de reais mensais.

Em março, ao encaminhar o inquérito ao Ministério Público Federal, a PF pediu o indiciamento de 39 pessoas, incluindo deputados e secretários de estado que dispõem de foro privilegiado. Os crimes apontados são os de formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva e peculato, entre outros. Todas elas estão sendo chamadas a depor na CPI do Detran, presidida pelo deputado Fabiano Pereira, do PT.

O episódio mostra o vôo curto e desajeitado da ética tucana. No Sudeste o PSDB acusa. No Sul se defende das denúncias de corrupção. As aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá.”

Obs: A revista se equivocou ao afirmar que deputados e secretários foram indiciados.

Poderoso chefão de Canoas depõe hoje


Conhecido como 'Chefão de Canoas', o secretário do governo do município, Chico Fraga, deopõe hoje na CPI do Detran juntamente com o ex-diretor da Fatec, Luiz Carlos de Pellegrini. Conforme o que já foi apurado, Fraga teria estreita ligação com Lair Ferst, tendo defendido este último quando ele foi escanteado do esquema que fraudou o Detran. Fraga integrou a equipe de transição da governadora Yeda Crusius e Fert estava na coordenação da campanha da tucana. A função de Ferst, como já foi amplamente divulgada pela imprensa, seria a de solucionar os todos os problemas financeiros que surgiam.

Chico Fraga ainda está envolvido em outro escândalo em Canoas: a merenda escolar superfaturada

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Disco arranhado



Patrícia Bado dos Santos, esposa do ex-presidente do Detran, Carlos Ubiratan dos Santos, e apontada como a verdadeira dona da empresa NT Pereira, que emprestou R$ 500mil para o próprio marido repetiu 142 vezes "nada a declarar" nas pouco mais de duas horas e meia em que depôs na CPI, irritando os deputados.

Dias contados

O silêncio das testemunhas na CPI do Detran pode até continuar, mas as informações que elas escondem serão tornadas públicas. Assim que o Ministério Público oferecer a denúncia ao Poder Judiciário, pedindo a condenação dos culpados pelo desvio do dinheiro público, o presidente da CPI, Fabiano Pereira, promete ler os depoimentos prestados à Polícia Federal de todos aqueles que calaram na Assembléia.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Até o bispo levou a culpa


O relator da CPI do Detran se esmerou muito e conseguiu se superar no quesito “argumento que deu para arranjar”. Na tentativa desesperada de eximir a governadora de qualquer responsabilidade sobre o escândalo envolvendo a autarquia, Adilson Troca (PSDB) culpou até o bispo de Santa Maria pela manutenção do esquema que lesou os cofres públicos em mais de R$ 44 milhões. Na sessão da Assembléia Legislativa desta quinta-feira (10), o tucano sugeriu que o contrato do Detran com uma fundação daquela cidade só foi mantido pela governadora para atender um pedido da autoridade eclesiástica.

A torrente de argumentos do ex-líder do governo Yeda não parou por aí. Troca afirmou também que a CPI não deve responsabilizar pessoas, mas o próprio Detran pelo desvio de recursos. Por fim, declarou que o principal resultado da comissão de inquérito deve ser reduzir o valor cobrado pela emissão de carteiras de motoristas. Medida, aliás, que para se concretizar basta um decreto do Executivo.

Faltou tempo para o tucano revelar que acredita em Papai Noel e que duendes existem.

Resposta na hora

A resposta ao relator da CPI veio imediatamente. Na tribuna, o deputado Elvino Bohn Gass (PT) revidou, lembrando que “pedido de bispo é importante, mas não dispensa licitação e nem significa bênção para a roubalheira”.

Irmãs de Lair Ferst depõem hoje


As duas irmãs de Lair Ferst - Rosana Ferst (sócia da Rio del Sur) e Elci Ferst (sócia da Newmark) - prestarão depoimento logo mais, às 18h, quando ocorre mais uma sessão extraordinária da CPI do Detran. Além das duas, Patrícia Bado dos Santos (esposa do ex-presidente do Detran, Carlos Ubiratan e sócia da NT Pereira) e Nilza Terezinha Pereira, proprietária da NT, também serão ouvidas pelos deputados.

As investigaçãoes da Operação Rodin indicaram que as empresas Newmark e NT Pereira seriam, respectivamente, de propriedade de Lair Ferst e Carlos Ubiratan dos Santos, sendo titularizadas por "laranjas". Em 2006, a NT Pereira realizou dois empréstimos a Ubiratan, nos valores de R$ 500 mil e R$ 120 mil.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Nove depoimentos chegam à CPI

Lair Ferst, Rosane Ferst, Elci Ferst, Nilza Terezinha Pereira, Patrícia Bado dos Santos, Pedro Luís Saraiva Azevedo, Chico Fraga e Hermínio Gomes Júnior e Alfredo Pinto Telles. Cópias dos depoimentos que estas nove pessoas prestaram à Polícia Federal já estão com a CPI do Detran. O material foi repassado no final da tarde de hoje pelo Ministério Público Federal aos deputados. Conforme o presidente da CPI, Fabiano Pereira, não serão permitidas cópias nem a retirada dos documentos do local onde eles serão guardados, a sala da CPI. Os deputados que quiserem ler e obter subsídios sobre o caso, devem fazer isto no local.

Não ando com ladrão, diz Marcon

O deputado Dionilso Marcon (PT) exigiu retratação pública de Silvestre Selhorst e garantiu que não conhece o ex-secretário executivo da Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência (Fatec).

Fabiano recebe hoje documentos do MPF


Integrantes do Ministério Público Federal entregarão hoje ao presidente da CPI do Detran as cópias dos depoimentos prestados à Polícia Federal pelas pessoas que a Comissão vai chamar para depor na Assembléia. O encontro entre Fabiano Pereira e os promotores será às 15h no gabinete do deputado.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Internautas condenam o silêncio


Um dos assuntos que, desde ontem, movimenta os blogs políticos no Rio Grande do Sul, é o silêncio das últimas testemunhas que compareceram à CPI do Detran. A esmagodora maioria dos internautas, que deseja esclarecimentos sobre a fraude no Detran, condena esta postura abusiva de usar o direito ao silêncio para não admitir o que é impossível negar.

Para o presidente da CPI, Fabiano Pereira, as testemunhas que asseguraram na Justiça o direito de não responder a perguntas dos deputados não estão agindo conforme a lei. Fabiano voltou a lembrar que o silêncio é autorizado, exclusivamante, nos casos em que os depoentes podem se auto-incriminar. Isto é, o silêncio não é extensivo a questões de natureza diversa.

Se a situação de abuso continuar, o presidente da CPI anuncia que tomará providências junto ao Ministério Público Federal.

Laranja caindo


O nervosismo de Alfredo Telles, que depôs ontem na CPI, não passou despercebido na Assembléia. Seguranças que acompanhavam a sessão comentavam entre si que a testemunha tremia em determinados momentos. A voz de Telles, marido de Elci Terezinha Ferst, que é irmã de Lair Ferst, também revelava nervosismo. Alfredo Telles é apontado pela PF como possível laranja das empresas do tucano envolvidas na fraude do Detran.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Conluio & Conluio


“O silêncio abusivo das últimas testemunhas que compareceram à CPI – Dario Trevisan, Rubem Höher e Alfredo Pinto Telles – reforça a suspeita de que estamos lidando com uma quadrilha que fez um conluio para roubar o Estado e renovou o conluio para se proteger das investigações”. O desabafo é da deputada Stela Farias (PT).

Para Stela, o silêncio é a confissão de culpa destas pessoas que, tudo indica, patrocinaram a maior roubalheira que este Estado já assistiu. A deputada, que fez várias perguntas a Telles, cunhado de Lair Ferst, ouviu sempre a mesma resposta: "vou permanecer calado".

Simulação para refrescar a memória


3.500 cópias de notas de R$ 50,00, totalizando R$ 175 mil. O bolo de dinheiro foi exibido a Rubem Höher pelo deputado Elvino Bohn Gass (PT) com a intenção de refrescar a memória do ex-coordenador do projeto Detran na Fundae. "Em novembro, quando foi deflagrada a Operação Rodin, o advogado de Höher entregou à PF a pasta que ele usava para carregar o dinheiro da propina. Höher admitiu à Polícia Federal que costumava transportar R$ 175 mil de cada vez, soma que ele buscava na sede da Pensant. Simulamos o montante como uma forma de defender a CPI, como um recurso para ver se ele falava sobre o caso. Mas ele preferiu a confissão do silêncio", disse Bohn Gass.

Laranja


"Ficou evidente que não passa de uma empresa laranja para lavar a corrupção". Com esta declaração, o líder da bancada do PT encerrou seu questionamento a Rubem Höher

Quadrilha?

- O senhor faz parte desta quadrilha?
- Vou me manter em silêncio!

O diálogo (?) acima aconteceu entre o deputado Elvino Bohn Gass (PT) e Rubem Höher, na sessão de hoje da CPI. Bem, se até neste caso o ex-coordenador do projeto Detran na Fundae prefere ficar calado, a conclusão só pode ser uma.

Frustrante


O depoimento de Rubem Höher, ex-coordenador do projeto Detran na Fundae, está sendo frustrante. Apesar de estar beneficiado por uma decisão judicial que o permite permanecer em silêncio para não prejudicar a sua defesa, Höher começou a falar dizendo que estava disposto a colaborar com a CPI. Mas, se ele estava com esta vontade, desistiu no meio do caminho. Sua resposta padrão tem sido "vou me manter em silêncio".

Conforme o que já foi divulgado pela imprensa, à Polícia Federal Höher admitiu que manteve alguns encontros com Antônio Dorneu Maciel, ex-diretor da CEEE e tesoureiro estadual do PP, para combinar a propina.

Silêncio tem limites


Respondendo a questionamento da CPI sobre as testemunhas que asseguraram na justiça o direito de permanecer caladas para não se auto-incriminar, a juíza federal de Santa Maria, Simone Barbisan Fortes, esclareceu que o silêncio deve se restringir a casos de auto-incriminação. Ou seja, o que aconteceu na inquirição de Dario Trevisan, que, com exceção de uma pergunta, negou-se a responder todas as outras, não deve se repetir. Rubem Höher, o primeiro a depor hoje, já está falando.

Deputados querem ouvir sindicalista


Os deputados Elvino Bohn Gass e Stela Farias (PT) apresentaram requerimento para que a CPI convoque Valter Ferreira da Silva, diretor do Sindicato dos Instrutores e Examinadores de Condutores de Veículos Automotores. O pedido será votado na próxima segunda-feira, dia 14. Conforme Bohn Gass, a matéria publicada hoje pelo jornal ZH informando do acordo entre Fatec e Fundae para a demissão e recontratação de 109 examinadores de trânsito justifica a convocação do sindicalista. "A chamada de capa chega a dizer que esta manobra permitiu a manutenção do esquema, desmentindo a tese, defendida pelo ex-diretor do Detran, Flávio vaz Netto, de que a troca de fundações tinha o objetivo de moralizar a prestação do serviço", observa Bohn Gass.

Segundo a matéria, Valter da Silva procurou Vaz Netto para reivindicar indenização para os técnicos demitidos, sendo que a resposta foi a realização de uma reunião entre os dois e a Pensant, apontada pela PF como uma das mentoras da fraude no Detran.

CPI aprova quebra de sigilo bancário de sistemistas


A CPI aprovou há pouco requerimento de autoria do deputado Fabiano Pereira solicitando a quebra de sigilo fiscal, bancário e financeiro das seguintes sistemistas: Pensant Consultores; Newmark Tecnologia e Informação; Rio del Sur; IGPL - Inteligência em Gestão Pública; NT Pereira; Carlos Rosa Advogados Associados; Doctus Consultores; PLS Azevedo; Nachtigall Advogados; Fadel Advogados e Pakt.

Yeda sabia mas não lembra


A governadora sabia que o Detran iria substituir a Fatec pela Fundae como empresa responsável pelos exames teóricos e práticos para obter e renovar a carteira de motorista. Isto, o ex-presidente da autarquia, Flávio Vaz Netto, já tinha dito à CPI. Agora, outra revelação reforça a informação de que Yeda Crusius tinha conhecimento de que algo muito estranho acontecia no Detran, pois ela recebeu em audiência representantes dos trabalhadores da Fatec que foram demitidos para serem readmitidos pela Fundae.

Tudo foi feito no mesmo dia: em 12 de maio de 2007. Conforme a justificativa oficial, os funcionários da Fatec foram dispensados porque o Detran havia encerrado o contrato com a fundação e foram readmitidos pela Fundae porque a a segunda fundação não tinha estrutura para realizar o trabalho pelo qual foi contratada - sem licitação - pelo Detran.

O problema chegou ao gabinete da governadora porque os trabahadores queriam ser indenizados pela demissão. Conforme o deputado Rossano Gonçalves, que foi procurado pelo sindicalistas para garantir o encontro com Yeda, a audiência foi realizada. Mas, segundo o porta-voz do Pitatini, a governadora não lembra da reunião.

Mais quatro testemunhas-chave


Na audiência de hoje da CPI do Detran, mais quatro testemunhas consideradas chave para a investigação da fraude serão ouvidas pelos deputados: Rubem Höher, coordenador do projeto do Detran junto a Fundae e sócio da Doctus; Rosana Ferst, sócia da Rio Del Sur; Elci Ferst, sócia da NewMark e Alfredo Pinto Telles, cunhado de Lair Ferst e também sócio da NewMark.

Todas as testemunhas que foram chamadas para depor nesta segunda-feira garantiram na Justiça o direito de permancer caladas para não se auto-incriminar. Com estas, já são oito pessoas convocadas pela Comissão a utilizar o recurso do silêncio.

Os deputados também votarão 15 requerimentos. Entre eles, o pedido de quebra de sigilo fiscal, bancário e financeiro das sistemistas que podem estar envolvidas na fraude do Detran. A reunião inicia às 14h, no Plenarinho, 3º andar da Assembléia.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

O silêncio que auto-incrimina


Até agora quatro testemunhas convocadas pela CPI garantiram na Justiça o direito de permanecer caladas para não se auto-incriminar. Será que eles não percebem que, neste caso, o silêncio é auto-incriminador? O professor Dario Trevisan, por exemplo, se recusou a responder todas as perguntas, não só aquelas que poderiam atrapalhar a sua defesa. Silêncio total. Esta foi a opção do professor, que poderia ter usado o espaço para dar sua versão dos fatos. Bem, quem é acusado de um crime e não contesta, só pode estar concordando com a acusação.